sábado, 6 de abril de 2013

ANÁLISE DO FILME “V” DE VINGANÇA


Sinopse do filme
      “V de Vingança” se desenvolve numa Inglaterra futura, no século XXI. Retrata a história de uma jovem que, depois de contrariar o toque de recolher determinado pelo Estado, se encrenca com os Homens Dedo, uma forma de braço policial auxiliar estatal, mas é salva por um misterioso mascarado de codinome “V”, que depois a acolhe e lhe revela alguns de seus planos para derrubar o opressor governo e devolver ao povo a liberdade e a capacidade de questionar algumas ações de quem deveria representá-los e não reprimi-los. 
        Ao tentar vasculhar a história de V, a jovem acaba descobrindo a verdade sobre quem ela é realmente e, termina se aliando nessa conspiração contra o parlamento inglês. O maior plano de V começava no dia 5 de novembro. Esse plano se baseava numa história de um homem que tentou explodir o prédio do Parlamento como forma de repreensão ao governo tirânico, falhou e terminou sendo enforcado. 
       V pensava que explodindo o prédio do Parlamento poderia mudar o mundo. Tendo semelhanças aos campos de concentração nazista, V passou maior parte de sua vida num laboratório do governo, onde eram feitas experiências com pessoas consideradas bastardas ou degeneradas, ateus e homossexuais, para a criação de uma arma biológica. A razão no qual V usava uma máscara era porque seu rosto e corpo estavam desfigurados por tais experiências. Uma das cenas mais surpreendentes do filme foi a da marcha de várias pessoas mascaradas como V, a marcha dos Vs. V tinha se tornado um herói para elas.



ASPECTOS SOCIOLÓGICOS DO FILME
        V organizava diversas ações terroristas com o objetivo de chamar a atenção do povo em relação ao governo cruel e corrupto que os liderava. Um governo que prendia, torturava e eliminava negros, homossexuais; manipulavam o povo por meio da mídia e da alienação televisiva, numa tentativa de promover uma limpeza étnica e social.  Prothero era um apresentador de TV, conhecido como a “Voz de Londres”, responsável por discursos de propaganda do governo para fazer um tipo de lavagem cerebral
na população.
O governo tinha várias semelhanças com um tipo de regime totalitário, o Nazismo.   
       A história abordada no filme mostra às novas gerações, que os erros cometidos em um passado próximo continuam possíveis de ocorrer.  Isso funciona como alerta contra posições não satisfatórias, contra soluções para problemas que merecem uma melhor reflexão. O filme remete o  fato  de que  por  meio  da  censura, não expressam os pensamentos e não manifestamos anseio por liberdade, deixando que manipulem-nos, até no modo de agir, sempre seguindo à risca regras, informações falsas que devem ser obedecidas e aceitas como verdade sem direito de qualquer questionamento contrário.
Análise Psico-Filosófica 
As Teorias que serão apresentadas a seguir para explicar com mais detalhes o filme serão: partes da teoria da inteligência multifocal, Minhas próprias teorias sobre  controle totalitário e alienação e um pouco das minhas próprias concepções filosóficas e poéticas. Espero que lhes seja de bom proveito.
O filme inicia-se com cenas de um homem chamado Guy Fawkes e seu ataque que fracassou no dia 5 de novembro, nele é narrado estas palavras:

"Lembrai, lembrai, do dia 5 de novembro
A traição de pólvora e enredo 
Não sei de nenhuma razão para que a traição da pólvora
 Nunca deve ser esquecido. "

Esse trecho é parte de uma música de John Lennon em homenagem a esse dia marcante. Mas o que é muito comum a se perguntar é "O que foi e qual o sgnificado deste dia?". É uma pergunta muito freguente, por tanto  mostrarei um resumo do que foi este dia.

Retrato de
Guy Fawkes
Era em 5 de novembro de 1605 que a Conspiração da Pólvora devia ter dado certo. Não deu, mas foi o começo de uma linha nova de pensamento mencionada na música “Remember”, de John Lennon, e em “V de Vingança”, quadrinho de Alan Moore e David Lloyd e filme de James McTeigue. Não sabe do que se trata?
Um grupo de católicos ingleses queria assassinar o rei Jaime I e grande parte da aristocracia protestante. Afinal, as pessoas de diferentes religiões estavam sendo tratadas de forma diferente pelo Estado e a gota d’água, que deu início aos planos, foi quando a Princesa Elizabeth, de 9 anos, foi declarada chefe de estado.
O plano era, além de sequestrar uma criança da realeza e incitar uma revolta, explodir o parlamento do país numa sessão no qual todos esses fidalgos estariam presentes. Foram estocados 36 barris de pólvora sob o prédio e o responsável pela detonação de tudo seria um cara chamado Guy Fawkes.
O grande problema dos católicos até hoje, sabemos, é a culpa. E, com medo de matarem inocentes – mesmo que por uma causa maior – o grupo de revoltosos enviou avisos para que certas pessoas mantivessem distância do lugar no dia da explosão. Um aviso chegou ao ouvido do rei e Fawkes foi preso, torturado e condenado à forca por traição e tentativa de assassinato.
O ato hoje é considerado heróico e lembrado com fogos de artifício na Inglaterra. Sem contar a tradicional rima criada e que chegou ao resto do mundo com a música, HQ e filme que fazem referência aos fatos
A data, aqui no Brasil, nem é tão lembrada, mas as ideias – especialmente agora, que temos um novo governo – precisam ser revistas para mantermos em mente que o poder é do povo. O dia 5 de novembro, pra gente, é dia de rever “V de Vingança”. No mínimo.

Mas o por que de Alan Moore escolheu este dia para representar o ideais de V, é pelo fato de que Guy Fowkes foi quem deu início ao princípio de revolução e luta pela liberdade e igualdade. Sua tentativa de Explodir o Parlamento gerou uma forte influência que iria servir como chave para a Vingança do personagem V. Tendo em vista que tanto Guy Fowkes quanto V, sofreram represárias severas de seus governos, e os dois de forma alguma aceitaram tal condição.
Após as cenas de Fowkes a historia começa com V e Evey se arrumando em seus quartos enquanto houvem um dos meios de comunicação mais influentes ( se não o mais influente) de todas, a TV. Representada pela imagem de um apresentador agressivo.
Essa cena logo de ínicio demonstra o controle e alienação que a TV pode exercer sobre a população. Pense bem, quantas coisas você já viu a televisão mudar em relação ao comportamento das pessoas? Existem alguns se são tão alienados que dizem até mesmo "Boa Noite" quando os apresentadores de um jornal o dizem. Outros seguem um comportamento só por que foi a televisão que disse que era correto. Atente-se ao que vê na televisão e perceba o que pode te levar as ruínas da enganação, pois é isso que eles tem em mente: Te Controlar.
Cenas depois a Personagem Evey anda pelas ruas e depara-se com três homens que aparentemente parecem ladrões, mas para o espanto são homens da "lei"  de um governo recém fundado por um Auto-Chanceler.
Tal cena mostra o poder da lei e do julgamento dado a homens que não a merecem, um fato que realmente ocorre em nossa realidade, você não acha?
  Em alguns instantes aparece o personagem V que se apresenta não com um nome, mas como um sentimento de vingança em andamento de sua conquista maior. Isso claro depois de ele surrar os homens da "lei".
Minutos depois é dado o início do primeiro ato que iniciará sua revolução. Ele leva Evey para ouvir uma canção em nome da justiça destruindo um símbolo que representará esta mesma palavra. Um símbolo feito em nome da justiça é destruída por V pelo fato de que ela perdeu seu valor quando fora suja pelo  governo que tirou seu sentido.
 Assim sendo V não encontra mais sentido nela e a destrói para mostra a seu país que a verdadeira justiça esta por vir. Nesse momento é vislumbrada a ideia de que muitos símbolos em forma de esculturas, ou de monumentos são erguidos com um propósito: para lembrarmos dos sentimentos e idéias de tempos passados, mas ao longo da nossa história vemos que estes símbolos são destruídos e assassinados pois deixamos de lado seu significado e damos vida as injustiças, que nos envergonham e que muitas vezes tem a ajuda da MENTIRA para que nossas idéias ruins venham a tona.
Após a ação de V é mostrado o Auto-chanceler Santler, que mostra todo seu poder sobre todas as midías de seu país, sobre o poder da lei, sobre o exército, a politica e todo e qualquer meio de influência. Ele lembra muito a imagem de Hitler quando criou sua sociedade nazista com o controle total sobre sua população, não os permitindo dar um passo sequer sem ter sua influência sobre suas mentes. E somente Ditadores e tiranos são capazes de escravizar seres que deveriam ser livres.
Depois é iniciada a cena da segunda ação de V, que é um ataque a emissora de televisão que tem como objetivo mostrar a sua população conformada e alienada que existe uma verdade no qual o governo vem lhes escondendo e que eles devem lutar unindo-se ao V para enxergá-la, e assim dar fim ao controle exercido por seus governantes. Quantas vezes já não vimos determinados atentados televisivos tentando nos mostrar a verdade? se você puxar bem pela memória vai saber que tais atitudes já foram exercidas.
Alguns instantes após o pronunciamento de V e as cenas de ação onde ele derrota os policiais e seguranças da emissora, ele leva a personagem  Evey para seu esconderijo  onde na manhã seguinte eles tem uma conversa no café da manhã. Nesta conversa são proferidas frases  nas quais serão necessárias serem analisadas aqui. Como:

 "O povo não deve ter medo de seu governo, o governo é que deve ter medo de seu povo."

V nos da a entender que não é o governo que deveria nos comandar como bonecos ou máquinas que não contestam ou não duvidam e nem criticam nada. Nós, o povo, é que deveríamos exercer nossa força de comando sobre os governantes, pois fomos nós que os botamos onde hoje se encontram, portanto, temos todo o direito de comandar, mudar, e melhorar nossas leis e direitos. Alguém que aceita as leis e não critica seu governo esta cego para a realidade da sociedade e surdo para as verdades da vida.

"Um símbolo tem poder, assim como o ato de destruir.
Pessoas dão poder ao símbolo, um simbolo sozinho não significa nada,
mas com bastante gente, destruir pode mudar o mundo."

Nesse trecho podemos acender a ideia de que monumentos, determinadas pessoa, locais, objetos podem  não ter significado algum quando não  tem ninguém para valoriza-los, entretanto, quando as pessoas começam a vê-lo e a crer neles de outra maneira, eles ganham poder, e destruí-lo pode modificar o curso da história humana. Assim como foi no dia em que destruíram as torres gêmeas  quando assassinaram o presidente Lincol ou quando derrubaram a sociedade Nazista. Pensemos por um segundo: Quais símbolos foram derrubados e que mudaram a história? e com que propósito?
Mais tarde V encontra-se com o homem que representa a Mídia Televisiva, O comandante Prothero ( A voz de Londres) O personagem V deixa explicito que exite uma história por de trás da história, e que o ato de dar fim a vida desse apresentador seria um dos meios para que a realidade viesse a tona.
Cenas depois Evey vai até V para conversar onde ela diz uma frase interessante que fora dita pelo seu pais escritor:

"Artistas usam a mentiras para falar a verdade e políticos mentiras para encobrir a verdade"

Tal frase possuí um poder incrível, pois, eu como artista, entendo que nós usávamos muitas vezes um pouco da mentira para demonstrar a verdade através de nossas musicas, pinturas, esculturas, atuações e ações para revelarmos a verdade contida no mundo, que fora apagada  pelo egoísmo e pelo desejo neurótico de controle

Na conversa, Evey pede a V que se ela pude-se ajuda-lo a mudar o mundo ela queria ajuda-lo, e fala uma frase onde diz que queria ser mais forte e não queria ter mais medo de nada, um fato que servirá para explicar melhor uma das cenas mais marcantes do filme.
Depois, Evey encontra uma frase do personagem Fausto da peça chamada The Tragical History of Doctor Faustus, e essa frase foi descrita pelo escritor, filósofo, cientista Tiago Ramos Magno. Ela encontra-se no espelho de V escrita em latim desta maneira:

"Vi veri veniversum vivus vici"
Tradução: "Pelo poder da verdade, enquanto vivo, eu conquistei o universo"

Uma frase magnifica que nos instiga a compreender que nada é tão poderoso quanto o poder da verdade. Quantas vezes você conquistou pessoas por ter falado a verdade? quantas vezes a melhor escolha que poderia ter  tido foi falar a verdade? mesmo que por algumas vezes ou por alguns momentos ela tenha parecida um erro, nada é tão forte quando a verdade, contanto, que ela seja dita da maneira correta. Nada é tão poderoso para conquistar o universo de uma pessoa, quanto a singeleza da sinceridade em nome da verdade e da liberdade do afeto e do amor pela vida.









Na cena seguinte V convida  Evey para fazer parte de seu próximo movimento em nome da justiça. Ele agora atacará um membro da igreja que também fora um dos seus algozes. O objetivo dele é matar o bispo e destruir a farsa da religião, aniquilando sua influência de alienação e controle utilizando a Falsa Crença. A partir daqui descreverei o que é a Falsa Crença.
Nada pode controlar tanto um ser humano quanto as Crenças Falsas. elas se traduzem das mais diversas maneiras: Dogmas religiosos, crendices, superstições  preconceitos, paradigmas científicos, verdades irreais  Todos nós temos uma falsa crença, até mesmo os mais racionais. Não imposta, se é professor ou aluno, culto ou iletrado, todos somos tolidos de algum modo por tais crenças, pois elas nos provocam uma euforia desproporcional. No campo dos temores, crenças geram medo de conquistar, debater, sonhar, de escrever, de ousar, de caminhar, de produzir. No campo da euforia, crenças geram delírios de grandeza, necessidade doentia de poder, necessidade neurótica de estar sempre certo, orgulho, egocentrismo, auto-suficiência
"Quem não critica aquilo que crê, não lapidará suas crenças,
Quem não lapida suas crenças será servos de suas verdades.
E se suas verdades forem doentias,
Certamente você será doente"
(Augusto Cury)

Compreendendo o caos que as crenças falsas podem exercer, V vai ao encontro do bispo para destruir tal ideia de controle através da religião. Entretanto, a personagem Evey o trai, escapando do personagem e indo a encontro de um amigo que também trabalha com emissora de TV.

Momentos depois V vai ao encontro de seu ultimo alvo, uma mulher que trabalha na pericia de crimes e que antes trabalhava com botânica e desenvolveu uma arma biológica, que depois seria usada em um golpe de estado para acensão ao poder de um candidato a Presidente. V a mata da maneira mais singela que poderia, sem dor. Ela pergunta se tudo não é uma coincidência e V diz:
“Não existem coincidências, Délia. Apenas a ilusão de coincidência.” 
Reflita sobre esta frase de V, e diga se ela se faz verdadeira.
E se chegar a uma conclusão semelhante a minha, então fará das palavras de V as nossas:

“Eu, assim como Deus, não jogo dados e não acredito em coincidência.”

A cena em questão relata um fato interessante, mostrando que as armas mais poderosas não são as nucleares, mas as biológicas, pois ferem, machucam, matam e ainda por cima mantem a integridade daqueles que a usaram. Assim sendo, nosso futuro como humanidade pode ser destruído  não somente pelo fogo das armas nucleares  mas também pelo sangue que percorre por nossas veias. Relato que demonstra a proporção dessa realidade são as cenas seguintes onde é mostrado o que ocorreu no dia 5 de novembro em Londres, onde mais de 80.000 jovens foram mortos por uma  epidemia sem explicação.
Nas cenas posteriores vemos o amigo apresentador de televisão de Evey dando um ar de sua graça e comédia em um dos seus programas, onde ele faz uma sátira criticando o governo, seu governante, suas mentiras e controle totalitário. Por fim, este personagem é alvo de uma severa represaria do mesmo governo e morto pelo personagem comandante do exército local Creedy. Essas cenas nos fazem relembrar quantas e quantas vezes pessoas, organizações ou grupos tentaram revelar as verdades em um meio de comunicação de alguma forma, seja satirizada ou não, e foram condenadas pelos seus atos. Os governos realmente querem isso, nos contrair diante das verdades e calar nossas bocas e consciências em meio ao caos que os homens do governo produzem.
Enquanto Gordon era preso, Evey foi capturada por alguém que aparentemente era um dos soldados de Creedy, mas posteriormente vemos que é o próprio V. Ele a leva de volta para sua casa e a coloca em uma prisão, fazendo-a sofrer tudo o que ele sofreu, passando pelo que ele passou, comendo  o que ele comeu, e principalmente, sentindo o que ele sentiu.
Ela encontra um papel de uma auto-biografia da personagem Valery que era uma das cobaias dos experimentos da Doutora em busca da arma e da cura do armamento biológico que foi a intercessora dos ideais de V.
 Ela relata em sua biográfica como foi sua vida, e que sua maior dificuldade foi a não aceitação e preconceito da família e da sociedade em relação a sua opção sexual, já que ela era lésbica. Ela mostra que sua família a recusou, e que sua sociedade a condenou. Essas cenas lembram muito as atitudes que Hitler teve em relação a judeus e homo-sexuais, onde suas condenações eram a morte. No fim de sua história, ela deixa uma ideia linda para V, Evey e a nós que assistimos ao filme:

"Nossa integridade é vendida por tão pouco,
  Porém, ela é tudo que temos,
  Ela é nosso ultimo pedacinho ,
Mas nele somos livres.

Cada pedacinho de mim vai morrer.
Mas nossa integridade, mesmo sendo tão pequena e frágil,
  Não podemos perde-la nunca."
Esse trecho é um dos mais belos, pois nos diz que no mundo de fora, podemos realmente não sermos livres por completo, mas no mundo em que somos por dentro, devemos ser totalmente livres, para escolher, decidir, lutar, amar. Mas que para conquistarmos essa liberdade precisamos acima de tudo, manter nossa integridade. Somente ela nos mantem humanos, ela sustenta nossos sonhos, nossas vontades e nossa coragem. Perde-la ou vende-la, é dar fim aos nossos sonhos de vida, e uma vida sem sonhos é uma emoção sem aventura.
O propósito de V era fazer com que Evey se torna-se o que ela queria, um alguém mais forte e sem medo. E para isso era necessário faze-la passar tudo aquilo, sentir na pele o que aqueles homens e mulheres passaram, para que ela fosse livre dentro de sí e assim não dando a perder sua integridade e coragem. O que ela sentiu, não foi só ódio, mas a vontade de vingança pela liberdade e justiça a humanidade. E acredite, que se todos quisermos ser fortes e ter coragem para concretizar nossos maiores sonhos, devemos  manter nossa integridade para sustentar nossas vontades, para assim, não termos medo do que poderemos sofrer amanhã, pois a ideia dos nossos sonhos esta acima de qualquer sofrimento e dor.
Aproximando-se do final, O Auto-Chanceler tenta fazer um ultimo pronunciamento para evitar que V tenha a força da população ao seu dispor, assim não deixando acontecer a dominação do povo sobre seu governo. Mas antes do dia 5 de novembro, sobre o disfarce de Willyan Hockwood, 
V se apresenta ao Inspetor Chefe Finch, para lhe contar a verdadeira história por de trás da história. Revelando a ele que o governo do auto-Chanceler Santler deu um golpe na nação, dando-lhes humana doença, uma epidemia que na verdade fora criada como arma biológica, onde centenas de homens e mulheres foram mortos para terminar o projeto que era chamado de "A Esperança da Nação."
Esse projeto visava matar centenas de jovens com sua falsa epidemia, dando ao futuro governador uma cartada que o levaria ao triunfo, que seria a cura da mesma arma que ele criou, fazendo assim a a população acreditar que ele fora a salvação daquele país, dando a ele o poder  total sobre sua nação.
Depois são mostradas cenas de como a população de Londres  está ao lado de V, e que eles adotaram a anarquia como principalmente de poder em nome da justiça, assim nos mostrando como o povo pode exercer um poder sem igual quando todos se unem sobre apenas um propósito. Ideia que se simplifica melhor na frase dita por V em sua ultima dança com Evey:

"Esconda-me e seja meu ajudante, pois este disfarce por acaso, tomará forma de meu propósito."


Antes de partir para sua ultima luta, V da um presente a Evey, uma decisão muito sabia. V percebeu que ele não tinha direito de puxar alavanca que destruiria o parlamento e que assim mudaria a história, pois ele fora um monstro criado pelo mundo de monstros, e que se ele vive-se, esse novo mundo não lhe pertenceria, mas sim as pessoas que sonham com um mundo melhor. Por tanto Evey teria que decidir puxar a alavanca.

Após essas falas, V parte para o emocionante e incrível ultimo confronto, onde ele encontra seu criador, e luta contra as forças de Creedy, e os mata. Mas antes da Morte de Creedy, ele pergunta por que V  não morre, e sabiamente V lhe diz:

"Debaixo desta máscara há mais do que carne.
  Debaixo desta máscara há uma ideia, Sr. Creedy.
E idéias são à prova de balas.”

Apenas posso lhes dizer que, não deixem seus ideais morrerem por quais quer que sejam as armas ou dores, pois elas são eternas na mente daqueles que viveram delas.
Quando V retorna, morre nos braços de Evey e ela esta prestes a puxar a alavanca e o inspetor chefe chega e lhe diz para parar, e é quando ela lhe fala:
"O mundo não precisa de um prédio, mas de esperança."
." Ela finalmente puxa a alavanca e o parlamento explode em fogos de artifício formando um V. E é nesse momento em que o filme termina com o Inspetor Finch perguntando a ela: " Quem ele era?"
E Evey com sabedoria e destreza, lhe responde:
 “Ele era Edmond Dantes, e ele era meu pai e minha mãe. Meu irmão, meu amigo. Ele era você e eu. Ele era todos nós! Ninguém jamais esquecerá aquela noite e o que aquilo significou para este país, mas eu nunca esquecerei o homem e o que ele significou para mim."

Ela deixa claro que V era todos nós, pois todos temos uma esperança pulsando dentro de nós de dias melhores, mais justos e mais verdadeiros. V significou o sonho de esperança e justiça que está cravado em nossas mentes, ideias, almas e corações.
O futuro da humanidade esta nas mãos da vontade, na coragem e nos sonhos de justiça, verdade, amor e liberdade da própria humanidade. E se quisermos mudar este mundo, devemos acima de tudo, não deixar nossas ideias morrerem, pois elas são a chave que mudará o rumo e o percurso da nossa história em busca da liberdade e felicidade. 
 Curiosidade sobre o filme:
Muitos assistem V de Vingança ficam com uma enorme curiosidade para saber quem é o ator por de  trás da mascara de Guy Fawkes. E um dia eu estava no facebook e vi uma imagem do ator Hugo Weaving, e pra minha surpresa foi ele quem interpretou "V".
Entre os personagens dele está o famoso Smith de MATRIX, Caveira Vermelha de Capitão América, V, e Eronld de Senhor dos Anéis.


Link Para Download do filme dublado: http://depositfiles.org/files/fbcig27aa
Link para assistir online: https://www.youtube.com/watch?v=sDRhpKZ0ou4

sábado, 23 de março de 2013

ANÁLISE DO FILME ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
sinopse
      Dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles do livro homônimo do escritor português José Saramago, o filme “Ensaio Sobre a Cegueira” possui elenco internacional e conta com nomes de peso como Julianne Moore, Alice Braga e Gael García Bernal. O enredo se desenvolve em uma agitada cidade não identificada, onde os habitantes são atingidos inesperadamente por uma pandemia de “cegueira branca”. A expressão refere-se aos olhos dos infectados que ficam cobertos por uma camada branca com textura leitosa. A doença atinge primeiro um oriental, dirigindo no meio de um trânsito tumultuado, e se espalha rapidamente por toda a cidade.
      A partir do momento que a doença se prolifera, os infectados são postos em quarentena, em um ambiente superlotado, onde as condições de higiene eram péssimas e a auto-estima das pessoas começou rapidamente a ser abalada até atingir condições animalescas. Os serviços públicos começam a falhar e as pessoas em geral passam a esquecer os básicos princípios que regulam uma vida civilizada e passam, simplesmente, a lutar pela própria sobrevivência. Neste momento, a história gira em torno da mulher do oftalmologista da cidade. Ela era a única pessoa não-infectada  naquele cenário caótico.
  A esposa do médico omitia esse fato, para ficar junto ao seu marido e a um grupo de outras pessoas que se juntaram pelo desespero da doença, andavam pela cidade à procura de abrigo e comida. Até que encontram um lugar para ficar e tentam restabelecer as ordens de sua vida, enquanto alimentam a esperança de que um dia a epidemia desapareça.
   O contexto do filme não é encontrar uma solução para a desconhecida doença,  mas sim refletir sobre a natureza da índole humana em uma situação extrema, em que os mais básicos sentidos físicos desaparecem das pessoas. Mais ainda, a história tenta mostrar em profundidade a essência do ser humano, que é obrigado a confiar no outro para conseguir se manter vivo.




ANÁLISE SOCIOLÓGICA DO FILME
        Ao refletir para comentar sociologicamente, “Ensaio Sobre a Cegueira”, lembrei-me do escritor tcheco Franz Kafka e sua obra máxima “A Metamorfose” que narra a história fantástica de Gregor Samsa, um caixeiro-viajante que se vê obrigado a suportar todas as despesas da família, e que certa manhã, ao acordar cedo para o trabalho, constata que se transformou em uma barata gigante (metáfora no livro que significa processo de coisificação provocado pelo sistema capitalista no comportamento humano).  
A partir desse momento, até a própria irmã que o amava incondicionalmente, passa a sentir repulsa em relação a seu aspecto e ao ambiente ocupado por ele, já que a barata sobrevive apenas  em locais imundos e nojentos. Gregor na realidade morre não somente pelo acidente que foi vítima, mas essencialmente pelo ausência de amor da família que supostamente o amava.

       Verifica-se no filme uma série de metáforas relacionadas ao comportamento contemporâneo na selva de pedra que é o convívio humano da atualidade. Tais, como desconfiança, oportunismo, luxúria, traições, barbarismos, desrespeito, conflitos internos e tudo exposto aos nossos olhos e fazemos questão de não enxergar, mesmo estando claro e nítido como a “cegueira branca”. A doença retratada no filme, não é uma cegueira biológica, mais uma cegueira social e psicológica provocada pela reputação egoísta, metódica, calculada e impessoal que atingiu em grau máximo a alma dos indivíduos.

Creio que não precisaremos atingir ao extremo como ocorreu na ficção. O exemplo é o amor, a cumplicidade e a solidariedade refletidos na postura da esposa do médico, que metaforicamente ou supostamente neutralizou-a em relação à infecção. Viva José Saramago. 

Análise Psico-Filosófica
As linhas de pensamento aqui usadas para analisar o filme serão o Racionalismo e o Empirismo, unidas a arte de perceber as sutilezas da vida, chamada pela Psicologia Multifocal de Contemplar o Belo


Ao iniciar o filme é mostrada uma cidade incrivelmente estressante e turbulenta, retratando o nosso dia-a-dia  nas cidades, onde não temos se quer um minuto  para refletir e perceber as sutilezas da vida. Logo, um acontecimento vem atona, dando inicio a ideia do filme, onde em meio ao caos dos carros um cidadão japonês acaba por perder sua visão, ficando com uma cegueira anormal, parando assim o trafego de carros na cidade. E as primeiras perguntas a surgir são  "Por que o primeiro a ficar cego é um japonês? Qual o motivo? e por que logo ali, naquele momento?". O primeiro cidadão a ficar cego é japonês pelo fato, de que o país que possui a população que mais decifra os códigos da inteligencia cientifica é exatamente o Japão.

Eles tem uma população incrivelmente inteligente quando se trata de ciência, mas quando se trata de inteligência emocional, muitos deles fracassam ao tentar decifra-lo ou compreende-lo. Não fazem ideia de como lidar com esse fato que deveria ser o mais importante de todos. Essa realidade é muito bem retrada nos filmes ou documentários onde é mostrada a relação dos cidadãos orientais com seus familiares, amigos e companheiros. É mostrado que poucos desenvolvem a capacidade de expressar suas emoções, de falar das suas sensações, aspirações, desabafar sobre suas dores, seus medos e o que mais possa lhe afligir.
Podemos ser Deuses da inteligência, mas se não formos aventureiros da emoção, seremos sempre carrascos de nós mesmos
O por que de acontecer naquele local, é para mostrar a população o que lhes acontecerá brevemente. Ao longo das cenas um homem que observava tudo o que acontecerá se oferece para "ajudar" o Japonês a chegar até sua casa. No caminho ele conta que sua cegueira foi repentina e que na verdade é branca e não escura como é o comum acontecer à aqueles que ficam cegos. Mas "por que essa cegueira é branca?" 


A verdade, é que José Saramago (o escritor) cria uma metáfora com o sentido da visão relacionada as nossas ações de descaso de não se importar com o que esta acontecendo a nossa volta. A Ciência explica que é a luz que nos permite enxergar todas as coisas que existem, entretanto, existem muitos fatos no mundo como violência, fome, injustiças, guerras, intolerância, que muitos seres humanos preferem fingir que não vêm, usando a escuridão como fuga dessas realidades. Assim sendo, o escritor resolve acender todas as luzes para seus personagens, para que eles não possam mais fugir da realidade que os cerca

Thomas Hobbes (1588-1674)
David Home (1711-1776)
Os Empiristas acreditavam que são os nossos sentidos que nos possibilitam o surgimento de ideias, que nos possibilita conhecer a  verdade sobre todas as coisas, que se não fosse nossos sentidos como a visão, nós jamais poderíamos chegar a uma verdade absoluta ou compativelmente lógica ao conhecimento. Os empiristas acreditavam que algo só pode ser verdadeiro se puder prova-lo, do contrário as teorias e palavras devem ficar apenas no anonimato.

John Locke (1632-1704)
É exatamente esse pensamento que Saramago tenta obstruir ao longo do filme, pois como podemos provar que o Amor existe? como dizer que esse sentimento é algo lógico em relação a ciência? como calcula-lo? Não são apenas os sentidos que nos fazem perceber as verdades e as coisas mais magnificas da vida, mas também a nossa capacidade de interpretar e sentir através de nossas emoções, nos desapegando ao físico e o materialismo.

Nas próximas cenas do filme começamos a perceber por quais motivos as pessoas ficam cegas. Todos aqueles que tem atitudes egoístas, intolerantes, preconceituosas e violentas são as que ficam cegas primeiro, mostrando que a doença que os esta afetando não é uma doença voltada para as ideias cientificas, mas sim pelas ideias e atitudes que nossas emoções provocam.
 Pense: Será que agora você estaria cego?

Nas cenas seguintes vemos o ladrão do carro ficando cego por suas atitude de enganar e roubar,
uma prostituta pela desvalorização da própria vida e luxúria,








até mesmo o médico interpretado por Mark Rufalo não escapa, pelo fato de ter duvidado de seu paciente que estava ficando cego.





E com o tempo toda a população daquela cidade estava ficando cega, até o ponto que os "infectados" são levados para quarentena, onde lá são posicionados a conviver uns com os outros sem nem mesmo poder ver seus rostos.
Nesse local, necessidades simples de ir ao banheiro se tornam um desafio extremo.

Um fato importante é que apenas uma cidadã não fica cega, que é a esposa do Médico. Muitos perguntam-se por que ela não ficou cega.
A cegueira atinge apenas aqueles que tomam atitudes ruins e ofensivas, mas ela fez algo que poucos fariam, ela conseguiu si doar aos outros incondicionalmente. Uma ação tão nobre e singela que a salvou do caos da cegueira.
Algumas cenas depois vemos os "pacientes" sendo solidários uns com os outros, tanto na hora de comer quanto se ajudar em qualquer outra coisa. Mas uma das pessoas conta-lhes o que esta acontecendo lá fora, as cenas mostram que o mundo passa a ter medo do desconhecido, da doença e dos infectados. Mostra que todos são tratados com violência. Mostra até o fato do trânsito, onde muitos estavam morrendo nas ruas por ficarem cegos do nada e que somente o medo  da doença poderia resolver esse problema, deixando as ruas vazias, para podermos nos conscientizar do mal que podemos causar e as vidas que podemos tirar com a nossa falta de responsabilidade.
Um das cenas mais belas e que melhor representa a visão Racionalista é a cena do rádio, quando todos ficam em volta de um simples radinho de pilha escutando uma música. Por alguns minutos, os personagens sorriem contemplando algo tão belo, lhes causando uma emoção tão grande que lhes conforta a alma.
Na visão dos Racionalistas, eles acreditavam que o conhecimento estava inato na alma. Essa é uma visão reeditada de Platão, que acreditava que nosso conhecimento estava dentro de nós mesmos e esse deveria ser desvendado para alcançarmos o Inteligível. O sentir e a emoção não podem ser explicados por completo pela ciência. Unindo esses conceitos a arte de contemplar o  belo, podemos dizer que muitas coisas que podem parecer simples de compreender, e são exatamente essas coisas que podem mudar e nos fazer valorizar nossas vidas e amar a existência de nós mesmos. Pense  bem: Quantas vezes você parou para perceber a beleza do desabrochar de uma flor? a beleza da chuva caindo  o bater de asas de um pequeno pássaro? a movimentação natural das nuvens  o vento batendo nas folhas? para refletir o quanto sua vida é importante? Essas simples ações são capazes de nos mostrar o quanto a vida é única e fascinante, mas se são pararmos para percebe-las continuaremos a dizer que a vida é um mundo cheio de coisas ruins e destrutivas, que nos matam e assassinam nossas almas.
Apesar de Saramago fazer com que todos seus personagens ficassem cegos para perceberem a beleza da vida, ainda assim ouve personagens que se mostraram aproveitadores e egoístas. Pessoas que mesmo em meio ao caos e dificuldades não deixam de se aproveitar das ocasiões em beneficio próprio (fato que realmente ocorre) Esse tipo de pessoa não percebe que tudo na vida tem um propósito, que devemos enxergar o caos como uma
oportunidade de superar nossas dificuldades e mostrar quem realmente somos e o valor que carregamos por dentro. 


Depois, esses personagens querem que os outros entreguem seus pertences, como jóias, dinheiro ou o que mais pode lhes interessar. Essa cena mostra que quando estamos "cegos" o que é material não tem mais valor algum, que o material não é o mais importante, mas sim o que somos, pois nenhum objeto é tão valioso quanto uma vida que é única e insubstituível.
Ao longo do filme é mostrado o como a cidade ficou. Virou uma terra de ninguém, onde uns não conseguem ajudar os outros , o individualismo e a sobrevivência é o mais importante. Esse mundo representa muito bem o como nossa mente é, um lugar que deveria ser um jardim intocável, mas que na verdade é uma terra sem dono.
apenas um grupo tenta sobreviver com uns ajudando os outros, dando a entender que existe salvação para aqueles que ainda valorizam a vida. Alguns minutos depois começa a chover, é uma das cenas mais importantes, onde todos percebem que algo tão simples e tão natural é lindo e  perfeito. É como se a água daquela chuva lava-se suas almas sujas de arrogância e ignorância, fazendo-lhes sentir a beleza da natureza.
Os personagens finalmente chegam a casa do Doutor e sua Esposa. Na ultima cena o japonês que foi o primeiro a ser "infectado" volta  a enxergar, ele vê o quanto todas as pessoas que estão ali a sua volta são lindas. Ele começa a trazer a esperança para todos, os demais personagens ficam felizes pois da a entender que os eles também voltaram a enxergar. Um dos personagens diz a frase mais importante de todo o filme "Agora todos voltaram a enxergar, MAS ENXERGAR DE VERDADE"
A única personagem que não ficou cega vai até a varanda e começa a pensar na vida e como ela seria dalí em diante. Que seria um mundo onde finalmente, todos conseguiram ver os outros não como uma simples forma de vida composta de carne e ossos insignificantes, mas sim, que todos são seres únicos, belos, insubstituíveis  magníficos e fascinantes. O filme da a atender que a é a personagem que fica cega no final. Mas em minha visão, ela estava "cega" desde o inicio, pois ela conseguia ver todos com outros olhos. Percebeu que todos mereciam ajuda, respeito, compreensão, carinho e amor. Coisa que somente podemos compreender quando estamos Cegos.

REFERENCIAS:
Livro: A Metamorfose (Franz Kafka)
Livro: Treinando a emoção para ser feliz (Agusto Cury)
Site: www.consciencia.org

Link Para Download do Filme: http://depositfiles.org/files/hjmu7sg4c